ter. mar 19th, 2019

Homens armados atacam ativistas de organização médico-humanitária e roubam equipamentos

Foto: MSF – Equipe médico-humanitária atende pacientes de colera na provincia de Kivu do Norte, República Democrática do Congo

Uma equipe de ajuda humanitária foi atacada na manhã desta segunda-feira (4), por homens fortemente armados, em Mweso, no território de Masisi, província do Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. A equipe teve dinheiro e equipamentos roubados e viveu momentos de tensão sob ameaças de sequestro.

A chefe da missão, Anna Halford, declarou que “a organização condena fortemente este novo ataque e a violência que o acompanhou. Essa incursão e a ação contra os profissionais de uma organização médico-humanitária exigem que tudo seja feito para encontrar as pessoas responsáveis”.

Ataques à organizações de assistência humanitária se tonaram frequentes nos últimos anos. Atividades da ONG na região de Mweso foram suspensas em 2015 após o sequestro de dois profissionais, e mais de 450 mil pessoas sem assistência médica gratuita. O trabalho foi retomado em 2016 depois que os ativistas estabeleceram algumas exigências, e campanhas de conscientização foram realizadas para a comunidade local, informando sobre a importância do respeito aos profissionais e às instalações da organização médico-humanitária na província que concentra o maior número de pessoas deslocadas na República Democrática do Congo por consequência da guerra.

A maior e mais sangrenta guerra civil depois da segunda guerra mundial

Oficialmente, a guerra na República Democrática do Congo (antigo Zaire) terminou em 2003, mas conflitos entre milícias, insurgentes e exércitos de países vizinhos continuam sendo travados, causando uma das piores crises humanitárias do mundo que já deixa mais de 6 milhões de mortos, feridos, e milhares de desaparecidos, tornando a guerra civil no país a maior e mais sangrenta depois da Segunda Guerra Mundial, sendo o leste do país, onde está localizado Kivu do Norte, a região mais atingida pelos confrontos.

As mazelas que afetam a RDC não se limitam aos conflitos que resultam no extermínio em massa, o país é constantemente assolado pela desnutrição, epidemias de cólera, infecções de diferentes tipos oriundas das más condições de saneamento, que colocam os indicadores de saúde do país entre os mais baixos do mundo, além de traumas ocasionados pela pobreza extrema, infraestrutura precária e condições desumanas na luta pela sobrevivência.

A República Democrática do Congo é o maior e mais rico país em recursos naturais da áfrica subsaariana, fator que gera cobiça e motiva a disputa pelo controle das riquezas que financiam milícias, e que são contrabandeada para países vizinhos como Ruanda, Uganda e Burundi, mas o povo continua sendo um dos mais pobres do mundo, é explorado no trabalho pesado das minas e confiscado na sua produção agrícola.

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