ter. mar 19th, 2019

Em menos de um mês 8 policiais foram mortos no Rio

Até quando será só mais um?

Tenente Jeovany Carvalho de Andrade Brito madrugada da quarta-feira, 24 de janeiro

Foto: Reprodução

Elisângela Oliveira

Não bastasse a morte de 134 policiais em 2017, nos primeiros 25 dias de 2018 foram assassinados 8 policiais em serviço ou em folga no Rio de Janeiro. O último caso registrado foi a morte do tenente Jeovany Carvalho de Andrade Brito durante uma troca de tiros na madrugada da quarta-feira (24), no Morro da Coca-Cola, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.

Diante desses números, podemos dizer que a morte de policiais não é mais uma novidade. Acabou sendo naturalizada por grande parte da sociedade. Já para aqueles que atuam na ponta da linha tendo o poder de decidir como e quando aplicar a força legitimada pelo Estado, resta aprender a lidar com os impactos físicos e psicológicos produzidos pela experiência constante com a violência, o medo e a insegurança. As consequências dessa experiência se revelam através de um ciclo marcado pelo aumento da vitimização policial, pelo uso desproporcional da força e do número de confrontos em determinadas regiões do estado.

Muitos acreditaram que a aprovação da Lei 13.142/2015 que tornou hediondo o homicídio praticado “contra autoridade ou agente descrito nos art. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição” fosse a solução para o problema da vitimização policial. Porém, na prática não observou-se grandes impactos.

Podemos concluir que o tratamento da questão vai além da legislação. É importante que o Estado estimule o desenvolvimento de ações estratégicas e articuladas para a mudança desse cenário. Já passou da hora de problematizarmos algumas questões importantes como a necessidade de oferecer ao policial as condições adequadas para o exercício de suas funções (treinamento, equipamento e escala), a remuneração adequada de modo que o policial não tenha a necessidade de atuar nos chamados “bicos”, o estabelecimento de procedimentos operacionais padrão a serem adotados dentro e fora de serviço, a disposição dos recursos necessários para que a Polícia Civil desenvolva sua capacidade de elucidação dos homicídios e a elaboração de programas de assistência à saúde física e psicológica que atendam os policiais e seus familiares.

Por fim, é preciso repensar a política de segurança. Ao adotarmos uma política que reforça a lógica de guerra na qual deve-se “abater o inimigo”, aumentamos a exposição dos agentes à violência. Sendo assim, talvez esse seja o primeiro passo de um longo caminho que precisamos percorrer no intuito de modificar o triste panorama enfrentado pelos policiais do Rio de Janeiro.

2 thoughts on “Em menos de um mês 8 policiais foram mortos no Rio

  1. Com certeza a lei é um avanço, mas o treinamento periódico e a valorização do trabalho policial teriam maior efeito prático na vitimização policial.

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