ter. mar 19th, 2019

Violência não deu trégua durante o Carnaval do Rio de Janeiro

Carro alegórico da Beija-Flor combina imagem da Pietá às imagens de mães segurando o filho policial morto.

Foto: Agência EB
Elisângela Oliveira

Para quem achou que o Carnaval seria somente de serpentina, samba e alegoria, tenho a infelicidade de informar que a violência no Rio de Janeiro se fez presente também nos dias de folia. A violência retratada em um dos carros alegóricos da Escola de Samba Beija-Flor, que desfilou nesse domingo, retrata a dor e a angústia dos cariocas.

As declarações do governador e do prefeito da cidade afirmando que a segurança dos foliões estaria garantida a partir da execução de um plano especial de segurança, na prática não tiveram o efeito esperado. O plano se resumiu basicamente ao emprego dos efetivos da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Enquanto a GM-Rio atuou com 6.140 homens nos blocos oficiais que desfilaram em todas as regiões da cidade, a Polícia Militar empregou 17.110 policiais no patrulhamento durante o Carnaval. Um aumento de cerca de 43% em relação ao efetivo empregado em 2017, que foi de 11.937 policiais.

Mesmo contando com esse número significativo de agentes de segurança, foram inúmeras ocorrências que repercutiram nos últimos dias. Algo que não nos surpreende. Afinal, sabemos que somente o aumento no emprego dos efetivos não seria a solução para reduzir a violência no Rio de Janeiro.

Durante os quatro dias de folia foram registrados três arrastões, na altura do Posto 8, em Ipanema. Dentre as vítimas, turistas estrangeiros e de diferentes regiões do estado e do país. Além de terem seus pertences roubados, várias pessoas foram agredidas fisicamente com empurrões, socos e chutes.

Dois policiais militares foram baleados no Leblon ao tentarem impedir um assalto na Avenida Afrânio de Melo Franco. Em Copacabana, um policial civil que também tentou intervir num assalto foi espancado por diversos homens. As agressões só terminaram quando o policial conseguiu entrar em um prédio na Avenida Atlântica.

Em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, um grupo de homens armados fez um arrastão em uma rua do bairro Santa Rosa. Os bandidos abordaram as vítimas em frente a um condomínio, levando seus pertences. Em seguida, com arma em punho, abordam ocupantes de ao menos dois veículos. Um deles foi levado pelos criminosos.

Para finalizar, mais dois policiais foram mortos hoje. O soldado André Luiz Xavier Barbosa foi atropelado e arrastado por 30 metros enquanto realizava um cerco na comunidade da Rocinha. O policial chegou a ser socorrido no Hospital Miguel Couto, mas não resistiu. O acidente também matou o condutor da moto. Outro policial foi assassinado no bairro Méier, Zona Norte da cidade. O sargento Fábio Miranda da Silva, lotado no Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), foi atingido por vários disparos enquanto caminhava por uma rua do bairro. O policial, que estava de folga, teria sofrido uma tentativa de assalto.

E foi assim, que encerramos os dias de folia. Dizem que o ano começa após o Carnaval. Então, cabe a nós aguardarmos que as autoridades enfim reconheçam a urgência em executar políticas de segurança pública pautadas na inteligência e no planejamento e que produzam efeito a curto, médio e longo prazo. É preciso dar um basta nas ações imediatistas, midiáticas e que privilegiam a lógica do enfrentamento e do uso exclusivo da força.

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