Júlio César: um goleiro muito além dos 7 a 1

Ele teve mais conquistas do que derrotas e os italianos o compararam a seu ídolo Buffon, o melhor do mundo

Ele se despediu dos gramados no Maracanã, estádio que o viu crescer até alcançar fama mundial.

 

Foto: Staff Images/Flamengo

Kleber Vieira

Nada do que se diga de Julio Cesar vai ser suficiente para apagar, da memória, o trágico vexame dos 7 a 1 sofridos pela Seleção Brasileira, em 2014, diante da poderosa Alemanha, campeã mundial daquele ano. Entretanto, tudo o que esse jovem de 38 anos, nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, conquistou no mundo do futebol, vai muito além dos resultados negativos em Copas do Mundo.

Campeão europeu e mundial com a Internazionale de Milão, em 2012, apontado pela imprensa européia como um dos dois melhores do mundo, também foi comparado, pelos italianos, ao ídolo nacional Gianluigi Buffon. Os torcedores e parte da imprensa do Brasil, que insistem em só se lembrar dos vexames, poderiam passar nas salas de troféus de Flamengo, no Rio de Janeiro, e Internazionale, em Milão. Nessas, veriam quantos Julio César ajudou os clubes a conquistar.

Em 2009, a International Federation of Football History & Statistics apontou Júlio César como o terceiro melhor goleiro do mundo. À sua frente, somente os lendários Iker Casillas, da Espanha, e Gialuigi Buffon da Itália. Também recebeu o prêmio de melhor goleiro do Campeonato Italiano, na temporada 2009/2010, tendo sido indicado para a Bola de Ouro, da Revista France Football. Ficou em 21º lugar, mas foi o segundo melhor goleiro, atrás apenas de Casillas, o 16º colocado. Em junho de 2016, portanto, dois anos depois da Copa do Mundo, foi o primeiro no ranking dos jogadores mais virtuosos, do jornal britânico Daily Mail, e agora, em 2018, ficou em nono lugar entre os melhores goleiros do século, sendo o único brasileiro na relação da revista inglesa Four Four Two. Com certeza, isso é bem mais do que os tais 7 a 1.

E lá se foi

A despedida poderia ter sido em muito maior estilo do que foi. Júlio Cesar está quase inteiro, aos 38 anos, exceção às dores lombares que o acompanharam durante os últimos anos e carreira. Jogaria fácil até os 40, tendo mostrado a velha e boa forma e a conhecida liderança, na partida de sua despedida, sábado, no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro.

Não estava sendo aproveitado no Benfica, e preferiu sair no ano passado. Não atuava desde então. O projeto para sua despedida foi construído junto com os departamentos de futebol e marketing do Flamengo. Ao lado do companheiro Juan, zagueiro do Flamengo, de quem é amigo desde os tempos de futebol de salão no Grajaú Country Club – a turma do bairro foi ao Maraca com cartaz e tudo mais -, Júlio César jogou pela última vez coma camisa do clube que o projetou, encerrando uma carreira mais cheia de altos do que de baixos.

Os rubro-negros são gratos, claro, embora sejam em menor número que todos os ingratos juntos. Mas estes não estiveram sábado no Maracanã. Então, para quê dar tanta importância aos que só zoam, apesar de a trajetória vitoriosa de Júlio César bater-lhes na cara? Os aplausos e o carinho dos mais de 50 mil presentes ao jogo de adeus do goleiro é que contam. Isso, ele jamais vai se esquecer.

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