ter. mar 19th, 2019

Fórmula 1 fecha 2018 em Abu Dhabi

Não gostou, deita na BR, Vettel!

Divulgação

* Alaide Pires

Não sei você. Mas eu, quando escuto aquela voz aveludada da Alcione nos primeiros versos de “É, você é um negão de tirar o chapéu”, penso logo em Lewis Hamilton. E tenho certeza que o alemão Sebastian Vettel, tetracampeão de 2010 a 2014 pela Ferrari, também pensa no piloto inglês na parte em que Marron sussurra “Não posso dar mole, senão você… créu!”.

Sim, senhores. Lewis Carl Davidson Hamilton (o pai era fã do velocista Carl Lewis, mas, como aquele personagem da escolinha do professor Raimundo, tentou “falar diferente” pro escrivão do cartório e deu nisso) raspou a cara do alemão no muro chapiscado do autódromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, circuito em que garantiu seu quinto título mundial por antecipação.

No GP do Brasil, onde estabeleceu a décima vitória do ano, Lewis ampliou a vantagem sobre Vettel para incríveis 81 pontos – 383 a 302. A temporada acaba em Abu Dhabi, no Emirados Árabes, onde Lewis pode correr só por recreação, lixando as unhas, já que também garantiu, por antecipação, o título do Mundial de Construtores para a Mercedes – 620 contra 553 da Ferrari, considerada favorita, pela própria Mercedes, nessa temporada.

A Vettel restou deitar na BR. Se vier algum caminhão, deixa passar por cima. Hamilton fez isso a temporada inteira, acumulando dez vitórias contra cinco do alemão. Tudo bem que a Mercedes deu aquela mãozinha amiga no GP da Rússia, mandando Valteri Bottas, companheiro de Lewis, praticamente estacionar seu carro para ser ultrapassado pelo inglês. Feeeeio. Pegou mal. Jogo de equipe é “proibido” na F-1 desde os tempos em que Rubens Barrichello e, depois, Felipe Massa, comiam na mão de Michael Schumacher na Ferrari. Rubinho chegou a protagonizar uma narração que virou bordão na F-1, com Cléber Machado, desesperado, dizendo “hoje não, hoje não… hoje, sim. Hoje sim?”, na manobra em que Schumi assume a liderança a poucos metros da bandeirada final, roubando de Rubinho uma vitória certa. O brasileiro chorou no pódio. Eu, em casa.

Voltando a Lewis. A manobra pouco republicana (como diria aquele senador do…do.. deixa pra lá) manchou só um pouquinho, de leve, a temporada impecável do inglês, que praticamente papou tudo da segunda metade em diante do Mundial. Fã de Ayrton Senna, o inglês tem uma legião de admiradores entre os brasileiros, que vibraram com sua vitória em Interlagos. O Marrom Bombom da F-1, primeiro negro a correr na categoria, fez bonito no autródromo paulista, colocando quase 1,5 minuto em cima de Max Verstappen e respondendo a uma pergunta que até hoje martela a cabeça dos aficionados pelo circo: “Por que, diabos, Nico Rosberg anunciou a aposentadoria, aos 31 anos, em 2016, após conquistar seu único título, e depois de ser vice de Hamilton em 2014 e 2015?”

É, Amigo… diria aquele locutor. Nico já estava sendo chamado, na rádio paddock, de “o Vasco da F-1”. A solução era passar a próxima temporada a base de Rivotril ou vazar dali. Preferiu pegar seu banquinho e sair de fininho. Fez bem.

No momento ninguém faz sombra ao mais nobre súdito de Vossa Majestade britânica nas pistas e fora delas, onde coleciona celebridades como namoradas. Até uma ex de Justin Bieber já alinhou nesse grid.

Ninguém tem o cartaz maior que o Negão de tirar o chapéu! Quem medir, perde.

 

*Alaide Pires

Jornalista, cronista esportiva, que durante muitos anos (sem entregar a idade, por favor), assinou a coluna Voando Baixo, sobre automobilismo nos jornais Extra e O Dia. Nesta véspera de encerramento da temporada da Fórmula 1, a famosa colunista deu essa ‘canja’ especial ao Editorial Brasil, com sua conhecida irreverência.

 

 

 

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